Em meio ao rolo compressor do governo e os argumentos contrários da
bancada de oposição, a Câmara do Recife aprovou, ontem, dois projetos
polêmicos do Executivo que estavam trancando a pauta desde o fim do ano
passado. O PL 40/2014, que versa sobre a contratação de temporários, e o
PL 36/2014, que cria a Companhia Recife de Desenvolvimento e
Mobilização de Ativos – RECDA, sociedade de economia mista para
administrar os créditos tributários da cidade. Os textos vieram ao
plenário numa tarde repleta de parlamentares, despertando um acalorado
debate protagonizado mais incisivamente pela ala do PT contra os
governistas.
Jurandir Liberal (PT) trouxe a discussão inicial sobre a contratação
dos temporários, considerado o mais polêmico. Na tentativa de impedir a
votação da matéria e levá-la para o âmbito das comissões, o petista
alegou que o parecer do texto emitido pela Comissão de Finanças e
Orçamento não era válido, uma vez que o documento continha três votos
contra o texto e dois a favor, e dessa forma não poderia ser levado para
o plenário. Ele ainda lembrou que na lei de 1992 e uma emenda de 2002
são estabelecidos critérios para contratação de funcionários por tempo
determinado em situações emergenciais e o projeto atual era
inconstitucional, uma vez que era contrário ao estabelecido.
“Pela nova proposta pode contratar tudo. A gestão quer acabar com o
concurso público. É um verdadeiro trem da alegria para contemplar
pessoas ligadas a ela”, disparou. André Régis (PSDB) alegou que a
matéria precisava de mais tempo para discussão, porque no seu texto
dispensava a realização de concurso público, o que incorria no vício de
inconstitucionalidade. “O capítulo 3 do projeto é inconstitucional
porque dispensa o concurso, propõe seleção por currículo, sem prova
objetiva”, argumentou.
Rebatendo o bloco oposicionista, o vice-líder do governo, Marco
Aurélio (SD), alegou que o artigo 3 não eliminava o concurso, não
ferindo a Carta Magna. Antônio Luiz Neto (PTB) se disse convencido da
inconstitucionalidade da matéria por conter o vício alegado por Régis.
Jairo Britto (PT) destacou que a contratação precisava ser especificada,
algo que para ele o texto não trazia. O líder do governo, Gilberto
Alves (PTN), ressaltou que o projeto atual visava atualizar a lei
vigente que, ao seu ver, “era genérica”.
No entanto, valendo-se da prerrogativa de que o parecer da Comissão
de Finanças foi feito em conjunto com os pareces favoráveis das
comissões de Saúde e de Legislação e Justiça, o presidente da Câmara,
Vicente André Gome (PSB), colocou para o plenário decidir, gerando
revolta da ala petista que defendia os pareces separados. Ao final, o
placar foi de 24 favoráveis e 9 contra.
Folha de Pernambuco
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