Os ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF)
decidiram manter o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque em
liberdade. Ele foi preso em novembro de 2014 na Operação Lava Jato e
conquistou liberdade após o relator do caso no Supremo, o ministro Teori
Zavascki, conceder habeas corpus em caráter liminar (temporário), em
dezembro do ano passado.
Ao proferir seu voto, Zavascki lembrou que a prisão preventiva é a
“medida cautelar mais danosa, que desafia presunção de inocência”. “É
bom que se saliente isso”, disse. “É verdade que sobejam elementos
indicativos da materialidade e autoria de crimes graves”, ponderou,
acrescentando que “até agora não foi apresentada denúncia alguma contra o
paciente”.
O relator votou pela concessão parcial do habeas corpus, ou seja de
que ele possa permanecer em liberdade em troca de outras medidas
cautelares restritivas, como apreensão de passaporte, por exemplo, para
evitar fuga. O voto de Zavascki se baseou no fato de que a prisão de
Duque foi decretada pelo juiz da 13ª Vara Federal Criminal da Justiça
Federal no Paraná, Sérgio Moro, sob a hipótese de fuga do ex-diretor.
“A custódia cautelar do paciente está calcada em uma presunção de
fuga, o que é rechaçado categoricamente pelo precedente desta Corte”,
argumentou o relator. Segundo Teori Zavascki, o próprio juiz de 1º grau
aplicou cautelares diversas da prisão para outros investigados “tão ou
mais capazes de fazer uso de sua capacidade econômica para evadir-se”.
Para apresentar a hipótese de fuga de Duque, Moro havia argumentado
que, pelo fato de o ex-diretor ter dinheiro no exterior, teria
motivações e condições de sair do Brasil. Diante desse argumento,
Zavascki disse que, se fosse por essa razão, todos os acusados na
Operação Lava Jato também teriam condições financeiras de deixar o País.
“Se esse fosse um fundamento legítimo teríamos de decretar prisão
preventiva geral e em absoluto para todos os investigados.”
Os ministros Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que também compõem a
segunda turma, também votaram de forma favorável à concessão de habeas
corpus a Duque, em troca de que sejam impostas outras medidas cautelares
ao ex-diretor, como uma garantia de que as investigações não sejam
interrompidas. O ministro Celso de Mello que também compõe a turma, não
compareceu à sessão desta terça.
(Fonte: Estadão Conteúdo)
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STF mantém Renato Duque em liberdade
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